EXPERIÊNCIAS

Normalmente eu esqueço as consultas que faço, ou seja, não lembro as coisas que eu falo na hora em que interpreto as Cartas Ciganas. Porém em alguns casos e somente nos casos em que me sinto impactada, eu consigo me lembrar de algumas experiências. Na qualidade de terapeuta, estou convencida de que, às vezes, uma boa conversa é suficiente para haver esclarecimento por parte dos clientes e em alguns casos a leitura das cartas se torna desnecessária. Também não permito que as minhas clientes se tornem dependentes do jogo, pois todos nós devemos nos arriscar na vida, através das nossas escolhas e assim tomarmos preciosas lições.Quero deixar registrado que não é importante a identidade dos clientes, nem vou expor seus nomes, mas, quero sim, aprender, de alguma forma, com as suas questões.

Concurso
A consulente me pergunta se vai passar num concurso público. Eu, sem tocar no baralho, pergunto se ela está estudando, o que ela me responde que não. Então pergunto, ainda sem tocar no baralho, qual a data da prova, e ela me responde que não sabe. Essa é uma questão que dispensa qualquer tipo de consulta, pois não há esforço por parte da consulente em se dedicar ao estudo com o propósito de passar no concurso. Não havia, até aquele momento, interesse em saber, pelo menos, a data da prova e as matérias que deveriam ser estudadas. Na vida, nada acontece sem que haja um empenho por parte da pessoa interessada, ou seja, é preciso fazer movimentos em prol dos objetivos que se pretende alcançar. 

O irmão
É mais comum as mulheres buscarem orientação num oráculo, mas uma vez um homem veio até mim para saber única e exclusivamente o que “ele” deveria fazer para separar o irmão da cunhada. Eu respondi, com calma e com clareza, que não sei juntar nem separar as pessoas, pois este não é o meu trabalho. A minha postura é orientar, fazendo que os meus clientes entrem em contato com as suas escolhas e assim poderem assumir a responsabilidade por suas vidas. O homem, respondeu muito rapidamente que iria procurar o candomblé para realizar a separação do irmão. Questionei a decisão e ele me disse que a cunhada era “biscateira” e que só queria o dinheiro do irmão. Perguntei se ele imaginava que o irmão pudesse estar apaixonado, feliz e ciente de como gastar o próprio dinheiro, pois afinal o livre-arbítrio é a 1ª lei de Deus. Ele estava convencido de que o irmão era uma vítima do interesse econômico da cunhada. Por fim perguntei se ele tinha alguma pergunta para ele próprio, mas ele se limitou a dizer que não tinha nenhuma pergunta a me fazer, pois a vida dele estava ótima.

Skate
É comum as mães perguntarem por seus filhos. Uma vez uma cliente perguntou por seu filho de 11 anos. Quando eu pus a lâmina da criança como carta mestra, o meu peito se comprimiu e senti que os meus pulmões estavam se fechando. Eu disse que o menino precisava de ar, de liberdade e de movimento. Num impulso eu lhe disse para dar um skate para o filho e ela respondeu que o menino havia pedido um skate na semana anterior. Ela também disse que ela e o pai eram muito rígidos e que não davam liberdade ao filho e que não o permitiam brincar no play do prédio. Eu a orientei a conversar com o marido, pois o menino iria adquirir alguma doença crônica no pulmão, além de apresentar problemas sérios de relacionamento com outras pessoas, o que ela disse que já estava acontecendo. Ninguém deve viver isolado, pois devemos interagir com o próximo, até mesmo para aprendermos a nos preservar. Tempos depois tive notícias de que o menino ganhou o skate e que havia feito amizade com outro menino da sua idade e que eles brincavam no play.

Suicídio
Uma mulher de 28 me procurou com vários problemas. Os pais já haviam falecido, ela só tem uma irmã que mora em outro estado, o namorado terminou o namoro de anos, a proprietária pediu o apartamento em que ela morava e por fim foi demitida do trabalho.
Num determinado momento do jogo, vi a combinação das lâminas do Sol e da Foice e imediatamente me veio a intuição da intenção de suicídio desta cliente. Eu somente disse: “Você está com pensamentos muito feios”, o que foi suficiente, pois ela baixou a cabeça e respondeu que só não tinha coragem, por se espiritualizada. Tive que lhe dar uma injeção de ânimo, diante de tanta provação e lembrei que Deus só dá uma cruz que podemos carregar, pois vi no jogo que logo a situação iria melhorar. Tempos depois ela conseguiu outro emprego e foi morar na casa de uma amiga por uns tempos. Hoje ela já procura um apartamento para morar sozinha. 

Drogas
Um jovem rapaz de 22 anos e pai de um menino de 5 estava separado há 3 dias, por causa de uma outra mulher. Pelo jogo eu o orientei a procurar a mãe do filho dele, pois ainda havia sentimento por parte dela, apesar da mágoa da traição. Ele disse que não faria isso, pois eles estavam brigando demais. Perguntei se ele estava estudando, pois eu intuí uma grande inteligência no rapaz. Ele respondeu que havia parado de estudar por causa do filho. No final do jogo ele me pergunta sobre drogas. Enquanto ele embaralhava as cartas eu lhe disse que ele iria passar por um grande susto. Então eu disse que o jogo recomendava ele parar com as drogas, repeti que ele iria se deparar com um grande susto e que se ele não parasse, morreria bem jovem. Também disse que ele não tinha dinheiro para estudar, mas que tinha dinheiro para as drogas e que a desculpa para não estudar (por causa do filho) era mentira. Tive a intuição de que ele seria chefe, pois o via comandando pessoas. Ela respondeu que gostaria de estudar administração, o que prontamente reafirmei que ele, por ser inteligente, teria condições de administrar pessoas. Por fim, eu afirmei que ele tinha duas opções, se drogar e morrer ou estudar e se tornar um bom administrador. Mas a escolha sempre está nas mãos do cliente. 

Amor perdido
Uma senhora de 74 anos, com os olhos baixos e um olhar muito triste, veio me consultar, pois o “companheiro da vida toda” tinha falecido havia dois meses. Além do mais a única filha era problemática, brigava com todo mundo, já havia expulsado os netos de casa e só queria a companhia dos cachorros. Portanto a vida dela estava sem sentido. De repente me deu a intuição de perguntar qual a religião dela, o que ela respondeu ser católica e que frequentava uma igreja perto de casa. Então eu a orientei a se candidatar num grupo de apoio fraternal na igreja, pois ela precisava se ocupar e que muitas pessoas precisavam do afeto que ela tem a oferecer. Neste momento, ela levantou os olhos e me olhou com uma expressão mais iluminada e me disse que não havia pensado nisso. Ela também me disse que eu havia devolvido a razão de viver. Mas na verdade foi ela quem fez o movimento de buscar uma orientação e demonstrou se abrir para uma nova experiência. Não sei se ela foi procurar a igreja, mas naquele momento houve uma esperança e uma nova etapa de vida estava se apresentando diante dos seus olhos.

Casamento
Num domingo a noite, por volta das 22:30 hs, o telefone tocou e uma mulher pede que eu leia as cartas para “salvar” o casamento dela. Nenhum oráculo pode “salvar” um ciclo que já se encerrou. A vida segue a diante e devemos acompanhar o ritmo dos acontecimentos. Ela nunca havia trabalhado e o ex-marido estava de mudança para outro estado. Na verdade ela era bem dependente do marido, pois preferiu se anular perante o casamento. Mas era certo de que ele havia perdido o interesse nela e que era hora de tomar as rédeas da sua vida. Não cheguei a atender esta mulher, a indiquei para outra pessoa, pois eu não havia um horário vago na minha agenda naquela semana.

Obssessor
Outra mãe perguntou pelos dois filhos adotivos de 6 meses. Um deles era muito agitado e estava com dificuldades para dormir, pois estava sendo obsediado. Eu a orientei a rezá-lo por 7 dias (Pai Nosso e Ave Maria mesmo) e outras orações que ela conhecia. Ela ficou chocada, pois como é possível um bebê de 6 meses estar sendo obsediado? Eu disse que costumamos olhar para um corpo pequeno, mas esquecemos que a alma não tem idade, pois a vida é eterna no plano espiritual. Somos um espírito que possuímos um corpo e não um corpo que possui um espírito. Às vezes contraímos dívidas e somos cobrados por nossas faltas. Mas garanti que ela tinha condições de rezar para construir uma nuvem de proteção energética no filho, desde que ela tivesse fé em si mesma e no astral superior.